Tanque Escavado

11/11/2014 10:01

 

A construção dos viveiros e das estruturas hidráulicas representa o maior item de investimento em uma piscicultura. O custo de construção depende das características da área (topografia, tipo de solo, cobertura vegetal e necessidade de drenagem), do design e da estratégia de construção dos viveiros e demais instalações, de fatores climáticos, dentre outros.

 

Área de Implantação

A seleção das áreas para a implantação dos viveiros deve considerar diversos aspectos que exercem efeito direto sobre os custos de implantação e de operação.

 

Alguns destes aspectos são aqui reunidos:

 
  • A topografia da área: terrenos planos ou com suave declive possibilitam um melhor aproveitamento da área e a redução nos custos de construção dos viveiros.
  • O tipo de solo: solos argilosos e de baixa permeabilidade permitem a construção de diques mais estáveis, sendo, portanto, os mais favoráveis à construção dos viveiros. Solos arenosos ou com grande quantidade de cascalho geralmente apresentam alta infiltração, demandando um maior uso de água. Esses solos também são pouco estáveis e mais susceptíveis à erosão.
  • A qualidade e a disponibilidade de água: as áreas eleitas devem dispor de fontes de água de boa qualidade, sem contaminação por poluentes e em quantidade mínima para abastecer a demanda da piscicultura. A quantidade de água necessária depende da área dos viveiros, das taxas de infiltração e evaporação, da renovação de água exigida no manejo da produção e do uso de estratégias de reaproveitamento da água, dentre muitos outros fatores.
  • A compatibilidade do clima: o clima deve ser compatível com as exigências das espécies que serão produzidas. Muitas pisciculturas convivem com os riscos de perdas de peixes durante o inverno.
  • Restrições ambientais: devem ser observadas as restrições quanto ao desmatamento e à preservação das áreas de proteção ambiental e das matas ciliares. Também devem ser observadas as restrições no uso dos recursos hídricos, principalmente quanto ao volume de água que pode ser captado e ao lançamento da água de drenagem dos viveiros nos corpos d’água naturais.
  • A infraestrutura básica: as condições das estradas, a disponibilidade de energia, dentre outras facilidades em infraestrutura, são fatores decisivos na seleção dos locais.
  • A disponibilidade de mão-de-obra, insumos e serviços: deve ser considerada a facilidade de recrutamento de mão-de-obra temporária; a conveniência na aquisição dos insumos básicos (ração, alevinos, corretivos e fertilizantes, entre outros) e a oferta de serviços de apoio (terraplenagem; manutenção de veículos e outros equipamentos; instalação e manutenção de redes elétricas, galpões e outras estruturas; transporte de cargas; confecção de embalagens; dentre outros).
 

Captação e Volume de Água

Dentre muitos fatores, a quantidade de água necessária para suprir uma piscicultura varia com as perdas de água por infiltração e evaporação, com o número de vezes em que os viveiros são drenados no ano; com a renovação de água durante o cultivo; com as estratégias de reaproveitamento da água; e com a precipitação (chuva) anual que incorpora água diretamente nos viveiros.

Evaporação e Infiltração

A taxa de infiltração da água depende das características do solo dos viveiros, da eficiência do trabalho de compactação, do uso de estratégias para amenizar a infiltração, do tempo de uso dos viveiros, dentre outras variáveis. Viveiros construídos em solos com alto teor de argila podem apresentar infiltração próxima de zero. A evaporação da água dos viveiros varia de acordo com os meses do ano, sendo acentuada pelas altas temperaturas, pela baixa umidade do ar e pela ação contínua dos ventos. A recomendação mais comum é de que esteja disponível entre 10 e 20 litros/segundo (36 a 72m3/h) para cada hectare (10.000m2) de viveiro. No entanto, na grande maioria das pisciculturas, vazões menores do que 10 litros/s/ha são suficientes para a reposição das perdas de água por evaporação e infiltração, exceto em áreas com excessiva infiltração de água.

 

Solo para Construção de Viveiros

Do ponto de vista da engenharia, a seleção dos locais para a construção de viveiros deve ser baseada na compatibilidade dos solos que servirão como fundação e como material para a construção dos diques. Os solos usados na fundação dos viveiros e diques devem dispor de lençol freático profundo para não comprometer e/ou encarecer os trabalhos de construção; serem pouco susceptíveis às rachaduras, à erosão interna e à percolação de água; serem estáveis para que não ocorram acomodações ou expansões no solo que causem danos estruturais à fundação. As áreas selecionadas devem ser detalhadamente investigadas, abrindo-se trincheiras ou realizando “tradagens” (coleta de amostras do solo em diversas profundidades com a ajuda de um trado) ao longo de toda a área, de forma a conhecer tanto as características do material, como a predominância e suficiência dos mesmos para a construção das fundações e dos diques. As investigações do perfil do solo devem se estender por pelo menos 60cm abaixo da cota prevista para o fundo dos viveiros. Os técnicos envolvidos com o projeto e a construção dos viveiros devem possuir um mínimo de conhecimento sobre os solos e as suas propriedades, para uma melhor compreensão das limitações de cada local e para a adoção de procedimentos e ações corretivas que viabilizem o empreendimento.


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